Visitantes online

como colocar contador de visitas no site

Sobre o Blog

Adquiri o hábito de escrever quando estava na 5a série e tinha dez anos. Meu professor de Língua Portuguesa, Sr. Bráulio, pediu que fizéssemos um diário relatando o nosso dia.

A classe estava com dificuldade na produção de textos e ele disse que escrever um diário relatando nosso dia a dia, iria ajudar muito na redação do futuro vestibular.

Eu então comecei a escrever desde a hora que acordava até a hora de dormir.
Escrevia sobre tudo. Desde o garoto que eu paquerava e gostava de outra garota, até aquela menina popular que eu odiava. Hehehehehe. 

Aaaahhhhh, o diário passou a ser meu melhor amigo. Com ele eu podia me abrir, botar para fora tudo que me angustiava. e contar até meus mais absurdos pensamentos. Rsrsrsrsrsrs.

Toda sexta-feira era dia de dar visto no diário. Quando o Sr. Bráulio entrava na sala, já dizia: "Diários em cima da minha mesa." - Eu levava o meu, colocava na pilha dos diários e voltava para minha carteira. Alguns diários ele só passava o visto e chamava o aluno, dono do diário, para dizer que precisava escrever mais. Tinha que falar a cor da camiseta do garoto que era goleiro, se a comida estava quente ou fria, se naquele dia estava chovendo, se tinha arco-íris, se tinha faltado energia, entre outras coisas No final da ladainha eu sempre escutava ele dizendo aos alunos que escreviam pouco: "Detalhes. Eu quero detalhes. Vocês tem que fazer com que a pessoa que esteja lendo seu diário, ache o mesmo interessante. Que ela se transporte para o seu dia, que consiga imaginar o seu dia."

Durante o tempo em que ele vistava os diários, ele nos passava alguma atividade. Algumas vezes eu o olhava pelo canto do olho para ver se já estava chegando no meu diário. E percebi que meu diário sumia da pilha e ele continuava dando visto nos diários dos outros alunos. Ele me chamava por último e dizia que eu precisava tomar cuidado com aquele diário, porque eu escrevia muita coisa.

Não dei bola e continuei escrevendo. Cada vez ele ficava mais tempo com o meu diário. Um dia já tinha dado o sinal, os alunos começaram a sair para o recreio e eu fiquei na sala. Quando todo mundo saiu, eu fui até ele e perguntei: "Porque você fica sempre lendo o meu diário?" - Então ele me respondeu: "Isso não é um diário. É um livro." - Eu ri. Então ele me disse 
que gostava muito de ler o meu diário e que eu descrevia tudo com muitos detalhes. Que ele se envolvia com minhas histórias e que gostaria que eu continuasse escrevendo.

E eu gostei da idéia. Toda sexta-feira quando ele ia dar o visto, ele dizia: "Ângela e seu livro." - Eu retrucava: "Sim, um livro."

Infelizmente hoje meu professor Bráulio é falecido. Nem chegou a conhecer a era tecnológica das redes sociais. 

Abandonei o diário de papel escrito à mão e comecei a escrever meus contos e situações engraçadas no meu perfil do facebook. A cada post, as curtidas aumentavam. Muita gente que eu nem conhecia, curtia e comentava. O dia em que eu não escrevia, as pessoas me cobravam: 

- E aí Ângela? Nenhum post para a gente ler hoje?"

E a cada comentário que eu ia responder, eu dava mil explicações, escrevia um comentário super longo que a maioria sempre dizia: "Caramba, você não comenta. Você escreve um livro." - E eu retrucava: "Sim, um livro."



E foi assim que nasceu minha página no facebook: Sim, um livro. Resolvi criar a página, pois assim qualquer pessoa pode segui-la. E logo em seguida criei o Blog. Fica mais organizado com o arquivo por data.

Não sei quem vai "me ler" aí do outro lado da tela, mas imagino que eu tenha algo em comum com várias pessoas. 

Eu tenho muito pra falar de mim, da minha vida, dos meus pensamentos. Todos que me conhecem me acham uma pessoa alegre, bem humorada, de bem com a vida e que sempre dá um jeito de fazer graça com a própria desgraça. Mas nem sempre sou assim. Eu também tenho meu lado triste, inseguro e medroso. É... Eu sou medrosa. Tenho muitos medos.

Na verdade, escrever pra mim é uma terapia. Seja bem vindo ao meu Blog. Agradeço de coração a visita.